1 de jul de 2013

Rainha de Sabá



Um retrato da misteriosa e obstinada soberana e sua busca pelo conhecimento

Como todo mito, a história da Rainha de Sabá possui inúmeras versões. Sabe-se que foi uma célebre soberana do antigo Reino de Sabá no século X a.C.     A localização deste reino pode ter incluído os atuais territórios da Etiópia e do Iêmen. A parte conhecida de sua história está relatada no Velho Testamento, datadas no século 6 d.C., e em um dos livros de Talmudu (coletânea das tradições orais judaicas). No Alcorão (livro sagrado muçulmano) encontramos referência à suposta cidade natal da Rainha, Marid. Dentre todos os relatos a respeito da Rainha de Sabá, o mais conhecido é o da Etiópia, o Kebra Nagast, do século 11 a.C. Segundo esse documento, ela teria assumido o trono com apenas 15 anos de idade, após a morte do pai.

Conhecida entre os povos como Makeda (Etiópia), Balkis ou Bilkis (povos islãmicos) ou Nicaula (designação dada por Flavio Josefo, historiador romano de origem judaica) esta Rainha recebeu diferentes nomes ao longo dos tempos. Para o Rei Salomão de Israel, no entanto, ela era “somente”, a “Rainha de Sabá”. Supostamente, ela seria uma descendente de Noé, mas a dúvida que persiste é se ela seria uma ancestral dos hamitas ¹ ou semitas².
Descobertas arqueológicas mais recentes apoiam a tese de que a Rainha de Sabá teria governado uma parte da Arábia Meridional, com evidências de que a área seria a capital do reino de Sabá.
Segundo relatos, em Sabá as mulheres e os homens possuíam praticamente os mesmos direitos (o que era comum nas nações kushitas, geralmente governadas por mulheres), a única coisa que fazia a diferença em seus direitos era a determinação religiosa da Rainha manter-se virgem. Como uma serva fiel dos costumes de seu povo, Makeda aceitou conformada. Como o posto a obrigava manter o celibato, decidiu dedicar-se ao estudo da filosofia e do misticismo. Seu governo foi próspero, graças à farta colheita, que era estimulada por avançadas técnicas de irrigação, e à localização privilegiada de seu reino. Sabá era um tradicional ponto de comércio, atraindo mercadores vindos de todos os lugares. Vendia-se e comprava-se de tudo pelas pequenas ruas do reino, em especial mercadorias oriundas do Oriente. Como gostava de circular em meio ao tumulto do comércio, conversando com os viajantes, ficou sabendo da existência do Rei Salomão pelo chefe das caravanas reais, Tamrim.
De acordo com a Torá (o livro sagrado dos Judeus) e o Velho Testamento, ela teria ficado curiosa com os relatos sobre a grande sabedoria do rei de Israel, e possuidora ela, também, de grandes conhecimentos, teria viajado até ele com presentes de especiarias, ouro, pedras preciosas, e belas madeiras, pretendendo testá-lo com suas perguntas. Tudo isto está relatado no  Livro de Reis (10:1-13) e no Segundo Livro de Crônicas (9:1-12).
A comitiva, segundo as narrativas, tinha 800 animais e, apesar da curta distância, a viagem durou seis meses. Chegando à Jerusalém, a Rainha se dirigiu ao palácio, trajando roupas caras, coberta de joias e seguida por dezenas de servos. Logo que foi recebida, divertiu-se testando a sagacidade de Salomão, muito culta e bem-humorada, ela confrontou-o com inúmeras charadas. O Rei, honrando a fama, não deixou nenhuma pergunta sem resposta.
Por sua vez, Salomão pregou a ideologia e os valores de sua religião, o Judaísmo, e conquistou mais uma adepta. Como um grande galanteador, ele também cortejou a visitante. Ao que parece, a Rainha ficou seduzida pelos dotes intelectuais de Salomão e sua imensa riqueza. Motivos que levam a crer que eles tenham tido um romance. Segundo alguns textos, mesmo tendo feito o voto de castidade, a Rainha de Sabá, em sua primeira noite no palácio, não resistiu ao charme de Salomão e se entregou a ele. Permanecendo meses na companhia do governante, teria retornado para casa grávida do amado. Num destes textos, o Kebra Negast (“Glória dos Reis”), escrito por volta de 700 anos a. C., narra-se que realmente Rei Salomão teria seduzido a Rainha de Sabá e tido com ela um filho, Menelik I, que se tornaria o primeiro imperador da Etiópia, com o título de “Rei dos Reis” e iniciado, assim, a Dinastia Salomônica. Esta dinastia governaria este país por três mil anos, que só se encerrariam com a subida do Imperador Haile Selassie, em 1974.
E, apesar de não haver sinais deste fato nos relatos bíblicos, nas crônicas etíopes isto é dado como certo, inclusive havendo relatos de que a família real da Etiópia se originou de um descendente da Rainha de Sabá com o rei Salomão. Supostamente, esta Rainha seria uma espécie de Candance, título dado a uma linhagem de rainhas guerreiras do reino kushita de Meroé, no sul do Egito. É importante esclarecer que na Antiguidade, o termo Etiópia era utilizado para denominar a região onde se situavam os povos negros do continente africano, o que poderia se referir à Núbia do sul de Egito e ao Sudão. De acordo com o historiador Flavio Josefo, a Rainha de Sabá foi uma soberana que visitou o Rei Salomão em Jerusalém, no antigo reino de Israel, e foi identificada como sendo “Rainha do Egito e da Etiópia”. Para o pintor  Giovanni Boccaccio, que segue o exemplo de Josefo ao chamar a rainha de Sabá de Nicaula, ela não só era Rainha da Etiópia e do Egito, como também da Arábia, e que relatos afirmavam que ela tinha um palácio luxuoso numa “ilha muito grande” chamada Meroe (o que está de acordo com a versão de que ela era uma Candance), localizada em algum lugar próximo ao rio Nilo. Boccacio expressa sua visão do encontro de Nicaula com o Rei Salomão em sua obra “Sobre as mulheres famosas”.
Outra teoria põe a Rainha de Sabá como uma descendente de Alexandre, o Grande, rei macedônico que dominou grande parte do mundo conhecido na antiguidade, um império que ia dos Balcãs à Índia, incluindo também o Egito e a Báctria (aproximadamente o atual Afeganistão).
Para a monarquia etíope, a linhagem salomônica e sabaítica tem considerável importância política e cultural. A Etiópia foi convertida ao cristianismo pelos coptas do Egito, e a Igreja Copta lutou por séculos para manter os etíopes numa condição de dependência e subserviência fortemente ressentida pelos imperadores etíopes.
Mencionada no  Alcorão, texto religioso central do Islã, numa citação muito similar à da Bíblia, ela é vista como a soberana de um reino cujo povo venerava o Sol, o que despertou a curiosidade do Rei Salomão que mandou convidá-la a conhecer seu reino e a discutir a suposta divindade do Rei.  De acordo com o relato, a Rainha teria ficado impressionada por sua sabedoria, louvando sua divindade e, posteriormente, aceitou o monoteísmo abraâmico.
Além de sua menção na Torá e no Alcorão, a Rainha de Sabá é mencionada no  Velho Testamento, onde é chamada de Rainha do Sul, e no Novo Testamento, quando Jesus Cristo indica que ela será uma dos responsáveis pelo julgamento dos que o rejeitaram. Nessa passagem supõe-se uma possível aura de divindade desta Rainha. O próprio Jesus a elogiou ao ver o seu esforço em vir de tão longe para conhecer a sabedoria de Salomão. Em Mateus 12:42, Ele disse que ela “… veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão.”
 Metaforicamente, algumas interpretações colocam a sua visita a Salomão como algo análogo ao cristianismo, tendo o Rei como o Messias, detentor do conhecimento e da luz e a Rainha representando os gentios, aqueles que desconhecem, mas buscam a verdade. Observando esta mulher decidida que queria conhecer Salomão e, provavelmente, queria aprender com sua sabedoria instintivamente, pode-se reconhecer mulheres que almejam ser decididas, corajosas e sábias. E, realmente, esta Rainha provou ser uma mulher determinada, pois não se preocupou com o cansaço a fim de que pudesse alcançar seu objetivo. Nem com a distância, embora, provavelmente, tivesse que viajar meses e muito menos se preocupou com quanto iria gastar com os presentes que ela estaria levando para o Rei Salomão – muito ouro, especiarias e pedras preciosas.

                                                                      Prof. Luiz Claudio Ferreira Souza
Notas
¹ Povos africanos que pertencem à raça caucasoide, originária da Europa. São chamados afro-mediterrâneos por causa de suas características físicas e da região em que vivem. A maioria dos hamitas é alta e possui nariz pequeno e pele amorenada.
Vivem, principalmente, no leste, norte e nordeste da África, região que compreende partes da Etiópia, do Saara e do Sudão.
Os antigos egípcios eram hamitas. Entre eles estão os bejas, berberes, fulas, galas e somalis. As línguas faladas pelos hamitas têm sido chamadas de hamíticas e pertencem ao grupo cuchítico das línguas afro-asiáticas.
² A origem da palavra semita vem de uma expressão no Gênesis e referia-se a linhagem de descendentes de Sem, filho de Noé
Referências
http://www.arcauniversal.com/mundocristao/series/noticias/mulheres-da-biblia-a-rainha-de-saba-8051.html   - Consulta feita dia 17/06/2013 às 19:00 hs
http://www.infoescola.com/biografias/rainha-de-saba/ – Consulta feita dia 17/06/2013 às 19:00 hs
http://www.klickeducacao.com.br/2006/enciclo/encicloverb/0,5977,POR-4108,00.html  – Consulta feita dia 16/06/2013 às 18:00 hs
http://www.triada.com.br/cultura/historia/aq180-245-1011-1-quem-foi-a-rainha-de-saba.html – Consulta feita dia 16/06/2013 às 15:00 hs
http://www.Wikipédia.org – Consulta feita dia 17/06/2013 às 19:00 hs

 http://www.cienciasparalelas.com.br/?p=1526

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