23 de ago de 2016

A submissação do ser Humano.


Pokémon e o sequestro do desejo-Novo jogo escancarado: na vida urbana mediada pelo celular, as corporações definem o que nos falta e nos vendem a reconfortante ilusão de que decidimos.



Este texto aponta uma questão simples e preocupante. Em 2010, o Google lançou aquilo que é hoje uma subsidiária muito importante, a Niantic Inc. A mega-empresa lança muitas filiais por ano e adquire outras, não há nada de especial nisso. A questão é: o caso da Niantic mostra que há mais do que desejo de poder econômico nesta expansão.

Seis anos depois de nascer, a Niantic chega às manchetes com o lançamento de seu maior jogo, o Pokémon Go. O público finalmente volta os olhos à empresa. Gente à esquerda propõe até mesmo boicotá-la. Na verdade, há vários anos a Niantic vem trabalhando na psicologia e organização social dos celulares.

análise dos dois maiores lançamentos da empresa, Ingress e Pokémon Go, revela algumas verdades importantes sobre o mundo em que estamos vivendo, o controle que as corporações exercem e o poder dos nossos celulares para organizar nossos desejos.

A Niantic desenvolveu seu primeiro grande jogo, o Ingress, em 2011. O jogo, um dos mais importantes dos últimos anos, é uma ferramenta ideológica chave para o Google – e ao contrário do Pokémon Go, é pouco divulgado. O Ingress tem sete milhões ou mais de jogadores e as tatuagens Ingress mostram a que ponto as pessoas se autodefinem pelo aplicativo.

Alguns jogadores até descrevem o Ingress como um “estilo de vida” ao invés de um “jogo”. O leitor pode ser perdoado por pensar: “Eu não jogo, então por que isso se aplicaria a mim?” Mas o entretenimento criado pelo Google via Niantic alinha-se com o projeto mais amplo de regular nossos movimentos e experiências do mundo físico. 

Isso se aplica a você, a não ser que não use o Google ou qualquer de seus aplicativos, muitos dos quais já vêm em nossos celulares.

O Ingress reflete a tendência de desenvolvimento de aplicativos para celulares (que inclui Google Maps e o Uber, entre outros bem conhecidos) projetados para regular e influenciar nossa experiência de cidade, 

transformando o smartphone num novo tipo de inconsciente: uma força ideológica que guia nossos movimentos enquanto nos mantemos apenas semiconscientes do que nos move e da razão por que somos movidos nessa direção.

O Ingress, ao contrário de simplesmente nos distrair da cidade ao redor, na verdade nos treina para ser cidadãos perfeitos do Google. No Ingress, o jogador move-se ao redor do ambiente real capturando “portais” representados por marcos, monumentos e obras de arte públicos, assim como outras características da cidade. É necessário que o jogador esteja dentro da área física do “portal” para capturá-lo. 

Por isso, o jogo está sempre rastreando o jogador via GPS. Significativamente, não monitora apenas aonde vamos, mas nos dirige para onde deseja que a gente vá.

Como tal, é um complemento ao Google Maps, que também está desenvolvendo a capacidade não apenas de rastrear, mas de dirigir nossos movimentos. Claro, há muito tempo os algoritmos do Google determinam que restaurante visitamos, que cafés conhecemos e que caminhos percorremos para chegar a esses destinos.

Agora, porém, o Google está desenvolvendo uma tecnologia nova que de fato prevê aonde você deseja ir com base no tempo, na sua localização pelo GPS e no seu histórico de movimentação habitual arquivado num sistema de registros infinitamente poderoso.

Isso, como o Ingress, mostra um novo padrão emergente, no qual o smartphone dita nossos passos pela cidade e nos encoraja, sem que a gente se dê conta, a desenvolver padrões de movimento repetitivos e habituais. 

Ainda mais importante: tais aplicativos antecipam nossos próprios desejos, oferendo-nos nem tanto o que queremos, mas determinando o que desejamos.

Aqui é útil novamente a conexão com o conceito de inconsciente. Embora alguns autores tenham enxergado o inconsciente como um pântano de desejos não regulados, os seguidores da psicanálise de Freud e mais tarde de Lacan têm tido interesse em mostrar precisamente 

quão estruturado por forças externas é o inconsciente.

Nossos smartphones fingem estar quase a ponto de preencher todos os nossos desejos, oferecendo-nos entretenimento sem fim (jogos), transporte fácil (Uber), acesso instantâneo a comida e bebida (OpenRice, JustEat) e até mesmo sexo e amor quase instantâneos (Tinder, Grindr). 

Contudo, mais assustador do que o fato de poder conseguir tudo o que você deseja via smartphone é a possibilidade de que o seu próprio desejo seja mobilizado por ele.

É precisamente nessa atmosfera que entra o Pokémon Go, lançado há apenas algumas semanas, e desde já o lançamento de smartphone mais significativo de 2016. O jogo é, claro, construído por ninguém menos que o Niantic Labs. Uma série de eventos histéricos já surgiu a partir do campo minado ético que é o Pokémon Go.





Garoto segura boneco de “Pikachu” durante uma “caçada em massa” a pokemon em Madrid, na Espanha, em 28 de julho.


ABSURDOS

No caso do Ingress, foram feitos estudos acadêmicos sobre o fato de que o jogo mandou crianças pequenas a parques urbanos sem iluminação às 3 da manhã. Com Pokémon Go, a polícia australiana teve de enfrentar uma penca de treinadores de Pokémon que tentavam entrar numa delegacia de polícia para capturar um deles lá dentro – e algumas pessoas encontraram um cadáver ao invés de um Pokémon.


Já foi sugerido que o Pokémon Go vai acabar matando alguém – e desde que esse artigo foi publicado alguém trombou com um carro de polícia e outra pessoa foi atropelada enquanto caçava os personagens. Mas, como no caso do Ingress, não é a aparição ocasional de uma história maluca que deveria nos preocupar, mas os efeitos psicológicos e tecnológicos da experiência de cada usuário.

A premissa do Pokémon Go é simplesmente que você usa seu GPS para encontrar Pokémons no ambiente real, e então usa sua câmera para torná-los visíveis, de modo que o mundo é “enriquecido” pelo ato de olhar, por meio da tela, para o que está atrás dela.


O próprio Pokémon é um fenômeno incrível que merece um estudo do tamanho de um livro. Talvez porque agora podemos dizer que o Pokémon é o exemplo perfeito do que Jacques Lacan chamou de “objet a”, aquele objeto de desejo fetichizado, adorável mas ilusório, que iria nos fazer felizes de verdade se pudéssemos colocar as mãos nele. Nós nunca colocamos, porque há sempre à mão uma versão mais nova, mais atraente e mais difícil de capturar!

As visões distópicas sobre para onde a tecnologia e os videogames apontam parecem ter algo de completamente errado. Os retratos do futuro distópico do videogame sempre tenderam a uma idéia de futuro em que cada indivíduo está isolado, sentado sozinho e quieto num quarto pequeno, conectado a um computador, somente através do qual sua vida pode ser vivida.Ou seja, a importância do ambiente físico é reduzida em favor do mundo eletrônico imaginário. Ao contrário dessas previsões do futuro, vivemos hoje numa distopia em que o Google e suas subsidiárias nos movem pela cidade em direções de sua escolha, loucamente e quase sem cessar, em busca de objetos de desejo, sejam eles um amante no Tindr, uma tigela de ramen japonês autêntico ou aquele ilusório Clefairy ou Picachu.



Em um passado recente….

Nos anos 1990, os pais poderiam pedir a seus filhos que “brincassem na rua” para escapar às limitações do videogame; mas agora, são os jogos que nos fazem sair pilhados pela cidade, capturando portais, colecionando Pokémons e frequentando encontros. Mesmo sem considerar o total acesso que o Google tem a suas contas via Pokémon Go, isso nos revela algo de fato perigoso.

Aponta para a crescente realidade de que não há realmente como escapar do Google. Enquanto fazemos aquilo que pensamos desejar, acreditando que usamos smartphones apenas para nos ajudar a alcançá-lo, na verdade o Google tem um poder ainda maior, verdadeiramente revolucionário: a capacidade de criar e organizar o próprio desejo.Esse poder verdadeiramente revolucionário é o mais importante, quando se trata de Pokémon Go e Ingress. Dizer que esses jogos são revolucionários não é dizer que estão fazendo algum bem, nem que são “radicais”, e certamente  é dizer que são de esquerda – ao contrário, a revolução no desejo parece ser corporativa, hegemônica e centralizada. Contudo, se é que a esquerda pode ter alguma esperança, ela não pode resistir ao Pokémon Go, mas entender e talvez até abraçar o poder do celular para reorganizar o desejo e buscar novos caminhos.



*Artigo publicado originalmente na revista Roar


Fonte-http://www.curaeascesao.com.br

O jogo de realidade aumentada 'Pokemon Go' é visto na tela de um smartphone em foto ilustrativa tirada em Palm Springs, na Califórnia, EUA (Foto: Sam Mircovich/Reuters)

Oliver Stone alerta sobre ‘totalitarismo’ do ‘Pokémon Go’

Em evento de cultura pop, diretor falou que jogo é ‘novo nível de invasão’.Depoimento foi durante a Comic-Con, enquanto promovia o filme ‘Snowden’.

Da France Press

O diretor Oliver Stone criticou o novo fenômeno dos games “Pokémon Go” , descrevendo o jogo como “um novo nível de invasão” que poderá levar ao totalitarismo.

Durante um painel para seu novo filme “Snowden”, no primeiro dia do San Diego Comic-Con 2016, o diretor disse que o aplicativo faz parte de uma cultura mais ampla de “capitalismo de vigilância”.

“É o negócio que mais cresce, e eles têm investido enormes quantias de dinheiro no que a vigilância é, que é data-mining”, disse Stone ao público.

“Eles coletam dados de cada pessoa nesta sala para obter informações sobre o que você está comprando, o que é que você gosta, e acima de tudo, o seu comportamento”, afirmou.

O jogo de realidade aumentada baseado em geolocalização tem causado furor desde que foi lançado no início do mês, e despertou críticas por exigir o histórico de navegação e de email dos usuários do Google.O jogo também tem sido apontado como a causa de uma onda de crimes e acidentes de trânsito em várias cidades do mundo.

Stone, de 69 anos, e ganhador de três estatuetas do Oscar, disse que o Pokemon Go se trata de um “retrocesso” na cultura da vigilância.

“Isso é o que algumas pessoas chamam de capitalismo de vigilância. É o seu novo palco”, afirmou.“Vocês vão ver uma nova forma de sociedade robô, onde eles vão saber como você quer se comportar e vão fazer protótipos que combina com o que você acredita e com o que te completa. Isso é o que se chama de totalitarismo”, acrescentou.

O Google tem acesso a milhares de informações

Acidentes envolvendo jogadores de Pokémon Go

Recentemente dois jogadores de Pokémon Go caíram de um penhasco nos EUA. Eles teriam escalado o penhasco em busca de um Pokémon e acabaram caindo de uma altura de quase 30 metros. Tiveram a sorte de cair na areia da praia, o que amenizou o impacto.

Outro caso intrigante aconteceu em Nova Iorque. Um homem de 28 anos bateu o carro em uma árvore enquanto jogava. O rapaz teve lesões nas duas pernas mas sobreviveu. Também em Nova Iorque, um vídeo mostra multidão no Central Park em busca de um Pokémon raro que apareceu na região. As pessoas chegavam de carro a todo momento e corriam para o Park tentando capturar o monstrinho, isso gerou tumulto e causou caos no trânsito. Uma jovem relatou que o jogo a deixou tão fora da realidade que ela, sem querer, caiu em uma vala e acabou fraturando o pé.


Um dos casos mais polêmicos, se não o mais polêmico, é o caso da garota americana Shayla Wiggins, de 19 anos. A moça descia perto de uma ponte em busca de um Pokémon quando se deparou com um cadáver. Órgãos de segurança de todo o mundo alertam os usuários para tomarem cuidado com os perigos causados pelo game. O jogo é mais procurado na internet do que pornografia e é mais baixado do que o app de relacionamento Tinder.

 


O Google sabe muito sobre você, mas dá para apagar seu rastro.Se o Google sabe muito sobre você a culpa é toda sua que fornece as informações.

Quando utilizamos os serviços do Google todos nós sabemos que nossas informações, muitas pessoais, ficam retidas pelo sistema. Isso fica bem claro nos termos e condições de privacidade do maior site de buscas do mundo e na frase; “Quando usa os serviços do Google, você confia a nós sua informação”. Muitos não se surpreenderão porque o usuário sabe dessa coleta de dados, mas sabemos mesmo a quantidade e quais tipos de informação ficam retidas no sistema?


Tudo e muito mais do que imagina fica armazenado, por exemplo, as fotos que tira com seu celular Android e posta nas redes sociais e até mesmo as que apagou ou nunca postou. Ele sabe todos os sites que você visitou, mesmo que seja em outro país, quantas vezes visitou, data e hora e como chegou até lá. Se faz compras pela Internet, quais cartão utiliza para débito ou crédito.“O Google sabe muito sobre você, certo? E de quem é a culpa? Sua, claro”, diz Lee Munsun, especialista em segurança. Segundo ele, as pessoas são ingênuas e passam suas informações sem o devido cuidado, tudo pelo prazer de fazer parte de um mundo virtual. E tudo é legal e permitido por você na hora que assina os termos e condições da empresa.

Existem meios de encontrar seus dados no Google através do “Minha Conta” ou “My a Account”, em inglês. De acordo com a Business Insiders, no início do ano, o Google tem mais 2,2 bilhões de usuários em atividade. Sempre que optar por um serviço gratuito vai estar pagando com suas informações pessoais. Para o Google, isso tornou-se uma mina de ouro, são bilhões de dólares que o gigante da tecnologia engole por ano. Segundo os especialistas, há muito pouco a ser feito.


Divulgação: A Luz é Invencível

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