20 de set de 2016

AO CAMINHO do PEABIRÚ.



REGIÃO DE AVARÉ E BOTUCATU

PEABIRÚ: O CAMINHO PERDIDO NO TEMPO

Há evidências de um lendário caminho para o interior da América do Sul, sendo chamado pelos índios de “Caminho de Peabirú ou Peabiyú, e os jesuítas designavam como “Caminho de São Tomé”, que em tupi-guarani “Pe”(caminho) e “abirú”(gramado amassado) significam “caminho batido”.

Este caminho é citado pela primeira vez no livro “História da Conquista do Paraguai, rio Prata e Tucumán”, escrito por Pedro Lozano, padre jesuíta nascido em 1697. Outras referências importantes estruturadas em outras obras, são a “Revista Comentário” nº 49 (1971) do historiador Hernani Donato e o livro “Peabiru – Os Incas no Brasil”, de Luiz Galdino (1999). Em síntese, segundo as referências, o caminho possuía oito palmos de largura ou cerca de 1,3 metros, sendo o ponto de partida a região de São Vicente (SP), com indícios que vem beirando o litoral desde Porto dos Patos/SC e Cananéia/SP.


SÃO TOMÉ

Os índios afirmam que o caminho foi construído por Pay Sumé, mas os jesuítas não acreditavam que os pudessem ter feito e atribuíam o feito ao apóstolo São Tomé. Certamente o “Peabiru” fora a porta de entrada para à colonização portuguesa na direção do interior do estado de São Paulo até a sua proibição em 1533, por Tomé de Souza, inclusive impondo pena de morte aos infratores. Essa medida proibitiva só foi tomada para evitar o fácil acesso às colônias castelianas, pois este dava grande prejuízo à alfândega portuguesa. Através do contrabando, só para termos a idéia de como era relativamente fácil o “trânsito” por este caminho, o gado introduzido em 1502 na região de Cananéia, já estava presente em 1513 na corte dos Incas no Peru. Só em 1603, o caminho voltou a ser utilizado pelos índios guarani.

Mas qual seria o traçado deste estranho caminho pelo o interior do estado de São Paulo?

Provavelmente seguia-se ao longo do vale do rio Tietê até a região de Itu e Sorocaba e, seguia em direção sul do estado, dividindo-se em duas ramificações:- uma à esquerda (ou Sul), por Araçoiaba, Itapetininga , Itapeva e estado do Paraná, onde há registros arqueológicos encontrados pelo Prof. Igor Chmys, da Univ. Federal do Paraná; - a outra ramificação seria à direita, saindo de Sorocaba, passando por Bofete e pela Serra de Botucatu, seguindo à “Cuesta” e o rio Paranapanema, seguindo-se até o Paraguai e, supostamente ao Peru. Uma curiosidade: próximo à Sorocaba, existem estranhas formações rochosas com o perfil de rosto humano bem definido, onde especulamos se teria algo a ver com o Peabirú., Pois bem agora vamos ao que mais interessa, quem diria que em pleno século XXI, a quase 300 km de São Paulo, existe um lugar onde muita gente acredita ser morada de Satanás ? Tudo isso teve inicio em 1952 quando um frei capuchinho, Fidélis da Motta, austríaco foi para cidade do interior paulista, chamada Botucatu. Frei Fidélis da Motta era historiador e estudioso da língua suméria, autor do livro “A América Pré-histórica e Exumados da Filosofia Suméria”, e, ao ouvir as histórias locais, e intimamente ligado às “Três pedras”, fez um curioso trabalho, que designou-as – em sumério – como Ex_tu, o “templo negro fálico”, onde supostamente as Pedras seriam a “sede” do culto negro liderado por Xumé, tido como um sacerdote sumério.

Para Fidélis, seria o local da reunião dos “cantores negros”, que seriam adoradores de satã ou sa_an (grande serpente), e de certa forma, seria a morada da serpente.

Segundo Fidélis, às redondezas de Botucatu era realizado o culto negro. Seus estudos à base do seu conhecimento sumério que, Bofete (Bofe_te) seria a “região dos cantores negros”; Avaré (Av_a_ré) seria o “templo de todos os cantores”; Itu (I_tu) seria os “filhos do templo”; Anhembi (An_hem_by) seria o “templo dedicado à serpente” e Tietê (Ti_e_te) seria o “rio que corre para o templo”. E até mesmo na palavra Sorocaba, Fidélis encontrou referência suméria, seria Sor_ok_ab_a, ou seja, “cantores da serpente destruíram o templo”. Isso tudo só para citar a riqueza e rumores existentes em torno das “Três Pedras”, que seriam visualmente os “pés” de uma formação montanhosa ainda maior, conhecida como “gigante deitado”, sendo que o epicentro dos fenômenos estaria na região dos “pés do gigante”, conhecida como Três Pedras ou, segundo Frei Fidélis, do sumério EX-TU, “templo negro fálico”. Varias histórias circundam este local, próximo de uma antiga estrada indígena, chamada de Peabiru, que também foi usada por jesuítas e que, em sumério, significa PE-AB-I-RU: “entrada para o templo do culto negro (fálico)”. O tríplice monumento, que se alteia no alto da Serra de Botucatu, destoa em relação ao resto da região, chamando atenção para si, nos dando dúvidas de ter sido construído pela natureza, em sua base de mil metros de extensão longitudinal e de uns 70 m latidudinal, que teria sido construído no século XXVI antes de Cristo. A pedra que chama mais a atenção é a chamada Pedra do Meio, um enorme rochedo com 200 m de comprimento 50 de altura, onde seria o centro de culto negro desbaratado por Xumé ou Sumé, grão-sacerdote sumério.


Para os moradores do local, ali se encerra um mundo de assombros e mistérios, como as bolas de fogo de mais ou menos dois metros que fazem circunvoluções nos céus das noites frias e de vento, todas amarelas e de muito brilho, com um som discreto de zumbido que voam lentamente entre as Três Pedras; algumas vezes elas param no ar, pousam e somem em cima da Pedra do Meio, às vezes se separam e vêm caindo como se fossem lágrimas. Uns dizem que é simplesmente fogo fátuo outro já evitam falar, pois acham que ali existe algo mais. Algumas histórias verdadeiras da época dos jesuítas contam que quando eles eram donatários da fazenda de Botucatu, um enorme carregamento de ouro estava sendo levado para São Paulo quando foram atacados por índios. Procuraram refúgio na Pedra do Meio, onde descobriram uma entrada secreta e ali esconderam as barras de ouro. Mas, mortos pelos índios, foi-se o segredo da entrada secreta de um tesouro. Houve muitos aventureiros que apareceram com picaretas nas mãos a revirar o território, e se alguém descobriu uma outra entrada secreta, pode ter sido um rapaz da cidade de Conchas, de família pobre, que há muitos anos, aparecia todo mês nas Três Pedras, passava lá a cavar uns dois dias e depois andava a gastar nas redondezas como um milionário.

Mas um dia, o rapaz desapareceu, nunca mais voltou e dele nunca mais se teve notícias. Segundo moradores antigos, foi castigo: dinheiro fácil é perigoso. No alto da Pedra do Meio, temos o que parece ser dois falos gigantescos, onde fica a dúvida se foram esculpidos pela mão do homem ou da natureza, e foi constatado que, ao aproximar uma bússola dos mesmos, a agulha é atraída para eles. Instrumentos de precisão. Tipo teodolitos, não conseguem marcar uma linha reta, pois são desviados por “algum tipo de força magnética”, segundo técnicos da região. Lanternas com pilhas novas se apagam, aparelhos eletrônicos param de funcionar, pequenos e curtos flashes à noite se vêem no local, passos fortes de alguém que não é visto se somam aos fenômenos locais. A estrada Marechal Rondon passa a uns 10 km do local e alguns motoristas contaram terem visto um “verdadeiro sol” à noite, passando lentamente próximo de seus veículos. Em uma noite muito fria de julho de 1978, pessoas que vieram em um trem que partiu de Avaré à 01h30 da madrugada teve seu vagão acompanhado por uma dessas bolas de fogo por 26 km e a mesma estava a 500 km do trem, era toda amarela e fazia movimentos de aceleração, o que aumentava a intensidade de sua luz. Desapareceu quando se aproximou a 40 km da composição, com forte luminosidade. A história foi confirmada pelo foguista e publicada no jornal local da região.

Foi encontrado, também, próximo das Três Pedras, uma outra caverna, esta de arenito, com mais ou menos 15 m de profundidade, 2,5 m de altura e 18 m de largura, onde, no fundo, existe uma passagem onde se pode entrar agachado por mais uns oito metros; depois a mesma fica muito estreita para permitir a entrada de uma pessoa. Quando fiz uma fogueira com folhas verdes e secas em sua boca, vi a fumaça entrar para o seu interior, mas não há saída da mesma em nenhum outro ponto pelo local. Há morcegos ali, e mesmo quando se coloca fogo, não sai nenhum, como se encontrassem refúgio em algum ponto interior da caverna. Será que é ali que foi colocado algum tesouro? E, o mais importante, haverá ali algum tesouro arqueológico?

Há mais ou menos 20 km desta região existe um lugarejo chamado Rubião Júnior, onde fica um campus da Universidade Estadual Paulista (UNESP), e em 01 de julho de 1968, há mais ou menos 200 m do Hospital das Clínicas por volta das 12h30, foi visto, segundo uma testemunha, um aparelho sem asas, de forma circular, cinza, com uma abóbada em cima e outra embaixo que deixou cinco marcas no solo, e mais ou menos 20 cm de diâmetro. Três marcas em forma de triângulo e duas como se fosse uma escada no meio do triângulo. Falou-se que era uma brincadeira de crianças etc, mas índice de compactação do solo nas marcas era equivalente a uma pressão de 15 toneladas. No dia 16 de julho de 1968, em Avaré, cidade vizinha de Botucatu, às 10h00, foi observado por várias pessoas um objeto com as mesmas características. Na época, o caso foi pesquisado pelos ufólogos e médicos Walter Buhler, Willi Wirs e Nigel Alan Ruies, que foi piloto da RAF. O caso na época teve muita divulgação, publicado pela imprensa local. Ainda nessa região, existe um local conhecido como Morro de Rubião Junior, onde existe uma igreja em forma de castelo. Quase que do lado da igreja há uma série de formações rochosas muito peculiares pra serem somente obras da natureza, pois podemos ver nitidamente um rosto e crânio negroide que olha para uma certa direção; ha possibilidade também de ver nitidamente um camelo esculpido na pedra que olha para na mesma direção da outra, e também um homem com características similares á humana, de corpo inteiro, olhando para outra direção. Coincidentemente, se é assim que podemos chamar, os dois primeiros olham exatamente me direção do gigante deitado e às três Pedras, e o último em direção a um local, no município de são Manoel, lugar este também com histórias interessantes. Nessa mesma localidade, encontramos também, gravadas na rocha, uma série de inscrições desconhecidas por nós e que muito impressionou: é que nas fotografias tiradas dali vê-se nitidamente o rosto e a cabeça do que podemos chamar de ser extraterrestre, tão perfeito, com um crânio volumoso e olhos em forma dos répteis. Outra coisa interessante acerca desse lugar é que é o ponto mais alto da região, então, há tempos atrás, a Polícia Militar resolveu fazer uma estação de rádio para controle do tráfego de região, onde colocou uma torre de mais ou menos 20 m de altura. Para surpresa de todos, essa estação foi fechada e abandonada, pois não conseguia se comunicar com ninguém devido a uma forte interferência, não se sabe causada pelo que; inda hoje vê-se ali os restos dessa estação de rádio, com sua torre já bastante enferrujada pelo tempo. Em fim, observamos várias coisas nos lugarejos, que muitas vezes exigem muito esforço físico, trabalho e coragem para se atingi-los, e para entrar em buracos de montanhas, não se sabendo o que se vai encontrar, ainda desafiando as maldições locais descritas pelos da região. No começo, era muitas histórias e, pouco a pouco, conseguimos ir fotografando, documentos e observando com nossos próprios sentidos, que muitas delas são verdadeiras e que ainda há muito o que se descobris tanto ali, como em muitos outros territórios do Brasil, pois todas essas formações rochosas de formato peculiar, as inscrições indecifráveis, os fenômenos luminosos e sondas parecem formar peças de um imenso quebra-cabeças que devagar estamos tentando desvendar.

Fonte

Peabiru - Estrada Inca que Cortava o Brasil

O caminho do Peabiru, foi uma estrada Inca que tinha inicio nos Andes peruanos e se estendia ate o Oceano Atlântico , mais precisamente ligando as cidades de Cusco no Peru ao litoral do estado de São Paulo.Com cerca de 3 mil quilômetros ,ela atravessava os territórios de Bolívia e Paraguai além do Brasil e Peru.Outras ramificações do caminho levavam até aos estados do sul do país chegando   ao Rio Grande do Sul.


Peabiru em tupi significa;  ''pe''- caminho, ''abiru''- gramado amassado.O caminho que continha muitas ramificações ,era uma   rota de locomoção que ligava regiões extremas do Brasil,ligando desde a  Lagoa dos Patos - Rs, até a Amazônia.Apesar de muito usado pelos guaranis eles próprios afirmavam que  o caminho não foi aberto por eles, os indígenas atribuíam a construção ao seu deus Sumé,que teria criado a rota inicial no sentido leste-oeste.


Usando os caminhos ,era realizado uma intensa troca comercial entre os povos do litoral  brasileiro e os Incas,os índios do litoral forneciam sal e conchas enquanto os do norte ,feijão ,milho e penas de aves, em troca os Incas davam objetos de cobre,ouro,prata e bronze. Um fato que comprova isso e um machado andino de cobre descoberto em Cananeia ,litoral de São Paulo.

Hoje apenas pequenos trechos do caminho estão preservados,que na sua maioria são formados por carreiros de 1 metro e meio de largura, e um leito com rebaixo de cerca de 40 centímetros coberto com uma espécie de grama chamada; puxa -tripa.Em alguns trechos mais difíceis ,ele chega a ter pavimentação feitas com pedras.Inscrições rupestres,mapas e símbolos astronômicos também são encontrados...

Por  o que pode se perceber nos comentários , há muita contradição se o Peabiru é ou não um caminho Inca, que demonstra  a falta de estudos sobre o assunto,mas nada fora do comum no país,assim como também acontece com a cidade indígena  de Kuhikugu , os Geoglífos da Amazônia  e o Stonehenge do Brasil .

Credito: Armando Capeletto


O Caminho do Peabiru


A palavra Peabiru é tupi-guarani e para ela há uma variedade de definições: “Caminho forrado”; “Caminho antigo de ida e volta”; “Caminho pisado”; “Caminho sem ervas”; “Caminho que leva ao céu”, entre outras.

A intensa ocupação humana destruiu o Peabiru, hoje restam pouquíssimos vestígios. Os mais importantes deles, até o momento, localizam-se em Pitanga / PR.

Provavelmente milenar, o Caminho foi descrito desde o século 16 como possuindo cerca de oito palmos de largura, uma profundidade de 40 cm. e forrado por gramíneas que impediam o crescimento do mato.

Ainda não é possível saber a rota exata do Caminho, mas, é possível traçar um roteiro aproximado.
O tronco paulista, que começava em São Vicente e Cananéia, seguia a direção do rio Tietê – município de Itu – rio Paranapanema – rio Itararé – nascente do rio Ribeira do Iguape.

Entrando no PR, percorria Doutor Ulisses – Cerro Azul – Castro – Tibagi – Reserva – Cândido de Abreu – Pitanga – Palmital – Guaraniaçu – Corbélia – Nova Aurora – Tupãssi – Assis Chateubriand – Palotina – Guaíra.

O tronco principal catarinense, iniciava-se provavelmente no Massiambu (Palhoça), seguindo por Florianópolis – litoral norte – rio Itapocu – Guaramirim – São Bento – Mafra. Entrava no PR por Rio Negro – Campo do Tenente – Lapa – Porto Amazonas – Palmeira – Castro, trecho usado depois pelos tropeiros.

O Peabiru deixava o estado do PR por Guaíra. Havia outra passagem por Foz do Iguaçu – usada por Alvarez Nunes Cabeza de Vaca em 1542.

O Peabiru então, seguia ao norte até a serra de Santa Luzia, perto de Corumbá / MS. Em Puerto Suarez penetrava na Bolívia. Passava por Cochabamba – Sucre – Potosí. Nesses locais existiam caminhos incas com várias opções para alcançar o Pacífico, as mais próximas eram Tacna, Montegua e Arequipa.

Os estudiosos ainda não sabem quem abriu o Caminho do Peabiru. Há três hipóteses principais:

1 – Caminho da Terra Sem Mal – A primeira hipótese supõe que o Peabiru tenha sido aberto pelos guaranis ou por povos anteriores – talvez os itararés.

Originária do Paraguai, a tribo teria se deslocado para o litoral sul do Brasil entre os anos 1000 e 1300. O Peabiru teria sido aberto nessa migração, cujo objetivo era a procura de um paraíso, a Terra Sem Mal.

2 – Caminho dos Incas – Supõe a construção da trilha como uma iniciativa inca ou pré inca. Neste caso, o Peabiru seria uma via aberta para a prospecção de territórios do Atlântico, visando o comércio com as tribos selváticas do Paraguai, MS, PR, SP e SC.

Primeiro uma estrada de comércio. Depois quem sabe, uma estrada de penetração definitiva das poderosas civilizações andinas no Atlântico sul.

Como via de mão dupla, o Peabiru permitiu a chegada dos guaranis aos Andes. Mesmo sem relações duradouras, as idas e vindas de guaranis e incas pelo Caminho deixaram vestígios de uma certa influência cultural na astronomia (leitura e uso de manchas da Via Láctea), estatística (semelhança do ainhé, cordão de cipó guarani com o quipu dos incas), música (flauta de pã), armamento (semelhança da macaná, borduna guarani com a maqana incaica), denominação de fauna e flora : sara (espiga, em guarani; milho em quêchua), cui (animal roedor, nos dois idiomas), jaguar (felino, nos dois idiomas), mandioca e ioca / iuca, suri (ema, nos dois idiomas).

3 – Caminho de São Tomé – Segundo essa versão, o Peabiru teria sido aberto por São Tomé, apóstolo de Cristo. Segundo Sérgio Buarque de Holanda, a devoção suscitada pela descoberta deste Caminho de Tomé na América no século 16 foi tal, que quase desbancou o de Santiago de Compostela. “Pouco faltaria em verdade que não apenas na India, mas em todo o mundo colonial português, essa devoção tomasse um pouco o lugar que na metrópole e na Espanha em geral… “tivera o culto bélico de outro companheiro e discípulo de Jesus, cujo corpo se julgava sepultado em Compostela”.

A passagem de Tomé pelo Novo Mundo foi mencionada por índios, padres, autoridades e colonos europeus no século 16. A versão corrente é que um homem branco, barbudo, teria chegado ao litoral brasileiro “andando sobre as águas”. Foi chamado de Sumé.

Em sua peregrinação, teria ido ao Paraguai, abrindo o Caminho. Ali foi visto e chamado de Pay Sumé. Saindo do Paraguai, a misteriosa figura teria continuado até os Andes. Os pré incas o chamaram de Kuniraya. Mais tarde, o personagem recebeu dos incas o nome de Viracocha. Após um período no Peru, ele teria ido embora, também “andando sobre as águas”.

O Caminho do Peabiru tem toda uma parte ligada a cultura indígena. Um aspecto interessante é que ele também pode ser relacionado com a astronomia indígena.


Observando o mapa do Peabiru percebemos que ele inclui, na verdade, diversos caminhos. Vamos nos ater a um só, que foi percorrido pelo pioneiro Aleixo Garcia. Este se inicia em Florianópolis, no oceano Atlântico e vai até Potosi na Bolívia, pegando depois as estradas dos Incas e indo terminar no oceano Pacífico. Ou seja, é um caminho transcontinental pré-colombiano.

O Caminho do Aleixo – talvez o mais importante de todos – não é na direção norte-sul e nem leste-oeste, mas sim “inclinado”. Ele vai aproximadamente de sudeste para noroeste.

Ao notar essa inclinação a primeira pergunta que se coloca é a seguinte: por que os primeiros índios escolheram essa direção ao abrir a trilha? E como eles se orientaram para percorrer esse caminho?

É espantoso constatar que os Guarani de Florianópolis falaram para o Aleixo Garcia que conheciam Potosí nos Andes. Que sabiam com o ir e como voltar. Isso tudo a pé, em 1524, mais de 2000 quilômetros em linha reta – naturalmente seguiam os acidentes naturais, rios e tudo o mais – mas a direção inicial-final era sudeste-noroeste.

Ao olhar para o céu, em condições propícias, vemos a Via Láctea, que é chamada pelos Guarani de Caminho da Anta (Tapirapé), ou Morada dos Deuses.

È natural supor que o caminho da Terra Sem Mal, para eles era aquele caminho que estava lá em cima, no Céu. Que é o Caminho dos Deuses, dos espíritos, é a própria Via Láctea.

Não são só os nossos índios que viam assim. Pesquisando na História notamos que egípcios, os gregos, os indianos, todos viam a Via Láctea como um caminho. Os antigos nos falavam que havia um tesouro no fim e outro no começo do arco-íris. E a gente vivia sonhando em em encontrar o começo e o fim dele. Fazendo uma comparação, os índios brasileiros e também os peruanos, queriam saber onde começava ou terminava o arco-íris celeste, ou seja, a Via Láctea.

Seguindo a Via Láctea, por terra, viam que o fim do Caminho ia dar no mar, no oceano Atlântico. E a Terra Sem Mal ficava “ali”, ou “lá”, em algum lugar. Por isso é que os índios foram à direção do mar. Por isso é que na maioria dos mitos indígenas, o profeta, o Sumé, vem do mar. Porque ele vem daquela ponta da Via Láctea à qual o índio não tem acesso.

Muito bem, pensa o índio, mas e do lado contrário do caminho da Anta, o que existe? O índio não sabe. Então ele vai procurando na terra, seguindo a Via Láctea. E acaba chegando no outro lado, que também não tem fim, chega num outro mar, o oceano Pacífico.

Então a idéia básica é essa. O Caminho que nosso índio percorreu é aquele da Via Láctea, quando está mais alta no céu. E que é também, aproximadamente o caminho que liga as posições do nascer-do-sol no verão com o pôr-do-sol no inverno. Ou, SUDESTE-NOROESTE.

Trecho da palestra do astrônomo Germano Bruno Afonso, no 1 Encontro Nacional dos Estudiosos do Caminho do Peabiru, em Pitanga / PR, em novembro de 2003.

Fonte: Cadernos da Ilha, edição número 2. Curso de Jornalismo da UFSC.
cadernosdailha@yahoo.com.br

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