28 de nov de 2016

A Sua RELIGIÃO está Preparada para Lidar com EXTRATERRESTRES?

Professor de astronomia da Universidade de Vanderbilt questiona como religiões reagirão se vida extraterrestre for descoberta um dia


Como a humanidade reagirá quando astrônomos encontrarem evidências sólidas da existência de vida além da Terra? Sem especulação. Sem dúvidas. O momento em que os cientistas anunciarem essa descoberta, tudo mudará. No mínimo, nossas filosofias e religiões precisarão incorporar essa nova informação.

Buscando sinais de vida

Até o momento astrônomos identificaram milhares de planetas na órbita de suas estrelas. Nesse ritmo de descoberta, milhões de outros serão descobertos ainda nesse século.


Agora que já encontraram planetas físicos, os astrônomos estão procurando por nossos vizinhos biológicos. Ao longo dos próximos 50 anos, eles darão início ao estudo provocador e detalhado de milhões de planetas, em busca de evidência da presença de vida acima ou abaixo das superfícies ou nas atmosferas desses planetas.

E é bem possível que os astrônomos encontrarão o que buscam. Apesar do fato de mais de um terço dos americanos acreditarem que alienígenas já visitaram a Terra, a primeira evidência de vida além do nosso planeta provavelmente não será descoberta por meio de sinais de rádio, homenzinhos verdes ou discos voadores. Em vez disso, um Galileu do século 21, usando um telescópio enorme, de uns 50 metros de diâmetro, coletará luz das atmosferas de planetas distantes, em busca de sinais de moléculas biologicamente significantes.

Astrônomos filtram essa luz distante por meio de espectrógrafo — prismas de alta tecnologia que permitem uma análise da luz em vários comprimentos de ondas diferentes. Eles estão em busca do que vai identificar moléculas que não existiriam em abundância nessas atmosferas na ausência de seres vivo. Os dados do espectrógrafo dirão se processos biológicos alteraram o ambiente do planeta.

Se não estamos sozinhos, quem somos?

Com a descoberta da luz de espectro em planetas distantes de elementos que só poderiam ser produzidos por seres vivos, a humanidade terá a oportunidade de ler uma nova página no livro do conhecimento. Nós não estaremos mais especulando sobre a possibilidade de existirem outros seres no universo. Saberemos que não estamos mais sozinhos.

Uma resposta afirmativa para a pergunta: “A vida existe em algum lugar no universo além da Terra?” levantará algumas questões imediatas e profundas cosmológicas e éticas sobre o lugar que ocupamos no universo. Se seres extraterrestres existirem, a minha religião e minhas crenças e práticas religiosas podem não ser universais. Se a minha religião não é universalmente aplicável para seres extraterrestres, talvez minha religião não precise ser oferecida ou forçada nos seres terrestres. Basicamente, talvez nós aprendamos algumas lições importantes aplicáveis em casa só de considerar a possibilidade de vida em outro planeta além do nosso.

No meu livro, eu investiguei os escritos sagrados das religiões mais praticadas ao redor do mundo, questionando o que cada religião tem a dizer sobre a singularidade e não-singularidade da vida na Terra e como, ou se, uma religião em particular funcionaria em outros planetas em partes distantes do universo.

Pecadores extraterrestres?

Vamos analisar a questão teológica aparentemente simples ainda assim muito complexa: extraterrestres poderiam ser cristão? Se Jesus morreu com o objetivo de resgatar a humanidade do estado do pecado no qual os humanos nascem, a morte e ressurreição de Jesus, na Terra, também redime outros seres perdidos que são nascidos em um estado parecido de pecado? E se for assim, por que os extraterrestres seriam tão pecadores? O pecado é algo construído no tecido do espaço-tempo do universo? Ou a vida pode existir em partes do universo sem ser em um estado de pecado e, logo, sem a necessidade de redenção que não necessita do Cristianismo? Várias soluções diferentes para os quebra-cabeças que envolvem a teologia cristã vêm à tona. Nenhuma delas satisfaz todos os cristãos.

Mundos mórmons

A escritura mórmon claramente ensina que outros mundo inabitados existem e que “esses inabitantes são nascidos filhos e filhas de Deus”. Na Terra, no entanto, o mundo dos mórmons, no qual Jesus, como é compreendido por eles, viveu e ressuscitou somente na Terra, é privilegiado. Além disso, as inteligências mórmons só conseguem alcançar seus próprios objetivos espirituais durante suas vidas na Terra, não durante suas vidas em outros mundo. Logo, para os mórmons, a Terra pode não ser o centro físico do universo, mas é o lugar mais privilegiado do universo. Essa visão sugere que todos os outros mundos são, de alguma forma, menos importantes do que a Terra.

Membros da fé Bahá’í têm uma visão do universo que não tem viés a favor ou contra a Terra como um lugar especial ou os humanos como uma espécie especial. Os princípios para a fé Bahá’í — unificar a sociedade, abandonar preconceitos, tornar as oportunidades iguais para todas as pessoas, eliminar a pobreza — são sobre os humanos na Terra. Quem segue essa fé esperaria que qualquer criatura de qualquer lugar do universo venerasse o mesmo Deus que os humanos, mas talvez não das mesmas formas específicas da Terra.

Anos-luz da Meca

Para os muçulmanos, os pilares da fé exigem que eles rezem cinco vezes todos os dias na direção da Meca. Já que determinar a direção correta da Meca pode ser extremamente difícil em um planeta que gira rápido a milhões de anos-luz da Terra, praticar a mesma fé em outro lugar pode não fazer sentido. Ainda assim as palavras de Qu’ran são “Seja lá quais seres existem nos céus e na Terra, eles se dirigem a Alá”. Será que os muçulmanos terrestres podem aceitar que o que foi dito profeticamente na religião de Maomé é direcionado tanto para os humanos na Terra quanto em outros mundos que possuem seus próprios profetas?

Astrônomos como quebra de paradigmas

Em algum momento ao longo da história, as descobertas de astrônomos exerceram uma influência gigante na cultura humana. Astrônomos gregos “desachataram” a Terra — mesmo que vários deles escolheram esquecer esse conhecimento. Copérnico e Galileu, acadêmicos da Renascença, colocaram a Terra em movimento ao redor do Sol e moveram humanos para longe do centro do universo. No século 20, Edwin Hubble eliminou a ideia de que o universo sequer possui um centro. Ele demonstrou o que o universo era no começo do tempo e o que, bizarramente, o universo, o próprio tecido tridimensional do espaço, está se expandindo.

Fica claro que astrônomos não estão de brincadeira quando oferecem novas ideias para o mundo. Outra ideia de quebrar paradigma pode estar chegando aos nossos telescópios agora mesmo.

Não importa quais informações oferecem a sua teologia, você talvez tenha que lutar com os dados que astrônomos trarão para dentro de nossas casas no futuro próximo. Você precisará perguntar: é o meu deus o deus de todo o universo? A minha religião é terrestre ou universal? Conforme as pessoas trabalham para reconciliar a descoberta de vida extraterrestre com suas visões teológicas e filosóficas de mundo, a adaptação às notícias de vida além da Terra será desconfortável e talvez até perturbador.


*David a Weintraub é professor de astronomia da Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos. Este texto foi publicado originalmente em inglês no The Conversation.

Através de OvniHoje.


x

Pesquise no Site por Assunto

AS 10 MAIS DO MÊS