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8 de nov de 2018

O Gnosticismo.



O Gnosticismo é um sistema religioso cujo início deu-se antes da Era Cristã. Considerado por muitos como resultado da interação do Judaismo, Cristianismo e as filosofia religiosas do Oriente.

Possui seus próprios textos sagrados, sendo que o principal é o Evangelho de Tomás. De fato, o Gnosticismo designa um dos movimento religioso Cristão que tornou-se bem conhecido durante os séculos II e III, cujas bases filosóficas eram as da antiga Gnose, com influências do neoplatonismo e dos pitagóricos. Este movimento revindicava a posse de conhecimentos secretos que, segundo eles, os tornava superiores aos cristãos comuns desprivilegiados do mesmo. Originou-se provavelmente na Ásia menor, e tem como base as filosofias pagãs, que floresciam na Babilônia, Egito, Síria e Grécia.

O gnosticismo combinava alguns elementos da Astrologia e mistérios das religiões gregas, como os mistérios de Elêusis, com as doutrinas do Cristianismo. A palavra gnose, tem por origem etimológica o termo grego "gnosis", que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental. Foi usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem. O termo "Gnose" acabou designando nos tempos atuais um conjunto de tradições que acreditam no aspecto espiritual do Universo e na possibilidade de salvação por um conhecimento secreto. A Gnose é uma corrente de pensamento esotérica, normalmente identificada com o misticismo oriental, Teosofia, cabala, rosa-crucianismo e maçonaria.


Doutrina gnóstica


O gnosticismo tornou-se uma forte influência na Igreja primitiva levando muitos cristãos da época como Marcião (160 d. C.) e Valentim de Alexandria a ensinar sobre a cosmovisão dualista, premissa básica do movimento. Efetivamente, para os gnósticos, existem dois deuses: o criador imperfeito, que eles associam ao Jeová do Velho Testamento e outro, bom, associado ao Novo Testamento. O primeiro criou o mundo com imperfeição, e desta imperfeição é que se origina o sofrimento humano. Mas, o deus bom teve pena dos homens e dotou-os de uma "centelha divina", que lhes dá a capacidade de despertar deste mundo de ilusões e imperfeição.

A premissa essencial da filosofia gnóstica é o postulado da existência de uma "entidade imortal", que não é parte deste mundo, que pode ser chamado de Deus, divina essência, perfeito, puro, imaculado, vivendo no paraíso etc. que existe em todos os homens que é a sua única parte imortal. Tal deus gerou outros seres divinos (aeons), com, metaforicamente falando, os sexos definidos.Eles também são capazes de gerar proles perfeitas em si mesmas contanto que as gerem utilizando um parceiro do sexo oposto.

Os gnósticos consideram que o estado do homem neste mundo é "anti-natural", pois ele está submetido a todo tipo de sofrimentos. Para eles, é necessário que o homem se liberte deste sofrimento, e isto só pode ocorrer pelo conhecimento.De um modo geral, os gnósticos acreditam que o Universo manifestado foi iniciado pelas emanações do Absoluto, seres finitos chamados de Æons que se reúnem no Pleroma. No princípio tudo era Uno com o Absoluto, então em um determinado momento, emanaram do Absoluto estes æons (éons), formando o pleroma. O pleroma dos gnósticos é um plano arquetípico, abaixo do qual está o plano material, manifestado. Assim, o que antes era Uno e vivia no pleroma, se despedaça em partes. Este estado de infelicidade, pela descida no pleroma (e separação do Todo Uno), é o que ocasiona o sofrimento do homem neste mundo.

Um dos éons, Sofia, decidiu gerar sozinha um filho sem a ajuda de um parceiro. O resultado foi um deus imperfeito e mal formado, chamado de Yaldabaoth um Demiurgo (artesão em grego), que criou o mundo material "mal", juntamente com todos os elementos orgânicos e inorgânicos que o constituem. Consciente do erro, Sofia joga seu filho numa região separada do cosmo. Tal entidade mal formada e ignorante, vendo-se sozinha, acredita ser o único deus. Ele então cria a Terra e os seres humanos. Sendo frutos de um deus imperfeito, somos igualmente incompletos, num mundo ilusório. Este deus, é o deus da Bíblia (antigo testamento). Os gnósticos ensinam que a salvação vem por meio de um desses éons.

Cristo seria um enviado do verdadeiro deus perfeito, oriundo de outro plano de existência, mandado para nos ajudar a enxergar a verdade e nos libertarmos desta ilusão em que fomos gerados, escapando das armadilhas da matéria e alcançando as altas regiões espirituais. Tal processo ocorre através da consciência da nossa verdadeira natureza e origem. Porém, existem os Archons, entidades criadas para nos manter na ilusão, detendo a jormada espiritual.

Segundo a doutrina, Cristo, se esgueirou através dos poderes das trevas para transmitir o conhecimento secreto (gnosis) e libertar os espíritos da luz, cativos no mundo material terreno, para conduzi-los ao mundo espiritual mais elevado. Segundo algumas linhas gnósticas Cristo não veio em carne e nunca assumiu um corpo físico, nem foi sujeito a fraqueza e emoções humanas embora parecesse ser um homem, enquanto algumas defendem a tese do nestorianismo. O apóstolo João trata deste assunto e enfatiza que "o Verbo se fez carne" (Jo l .14), e em sua primeira epístola que "todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus..." (l Jo 4.3). Os escritos joaninos são do final do primeiro século, quando nasceu o "gnosticismo cristão".

Para que o homem possa se libertar dos sofrimentos deste mundo, segundo os gnósticos, ele deve retornar ao Todo Uno, por ascensão ao pleroma, e isto só pode ser alcançado pelo Conhecimento Verdadeiro (representado pela Gnose). Este despertar só pode ocorrer se o homem se descobre, "conhecendo-se a si próprio".

Os pilares do gnosticismo



Poderíamos dizer que a Gnosis abarca o conhecimento de todas as coisas: da natureza, do ser humano e das coisas transcendentes. Mas onde está esse conhecimento? Onde podemos encontrá-lo? Em todas as culturas do passado encontramos elementos que apontam para essa mesma busca.

No Evangelho Apócrifo de Tomé, considerado, segundo estudos recentes, o mais antigo de todos os Evangelhos, aparece como uma de suas sentenças: “Jesus disse: ‘Se vossos guias vos disserem que o Reino de Deus está nos Céus, então os pássaros vos precederiam; ou se estivesse no mar, então os peixes vos precederiam. Mas o Reino de Deus está dentro de vós e também fora de vós. Se vos conhecerdes, sereis reconhecidos e sabereis que sois filhos do Pai Vivo. Mas se não vos conhecerdes, vivereis em pobreza e vós mesmos sereis essa pobreza’.”
A criação é um espelho do Criador

A criação inteira é um espelho de seu criador. Jesus também dizia que quem vê ao filho (criação) vê ao pai (criador). Assim, o Reino de Deus ou o Reino dos Céus está espalhado dentro de sua criação (a própria vida). Cada criatura carrega dentro de si os portões que dão acesso a essa nova percepção da existência e de seu propósito. Porém, apesar de estar em tudo, só podemos enxergar o Reino de Deus disseminado na criação depois de havermos reconhecido em nosso próprio mundo interior, como diz na sentença acima.

Mas se não chegarmos a conhecer essa Gnosis que brota de dentro de nós mesmos, nossa existência se transforma em uma existência sem finalidade, pobre, a qual acabamos por aceitar como se a vida é que fosse assim, miserável. Quando o Cristo dizia para que cada um se preparasse porque o Reino dos Céus estava próximo, as multidões sempre pensavam que estava chegando, mas poucos se davam conta que estava tão “próximo” porque estava no lugar mais próximo possível, que é dentro de si mesmo. Em nosso mundo interior, nossa essência divina repousa como um grão dormente debaixo da terra, aguardando a força do sol e da chuva para que possa entrar em atividade. A semente carrega dentro de si a possibilidade de mil pomares, mas que só germinarão se houver o alimento e o cuidado adequados.

Filosofia, Ciência, Arte e Religião são, unidos, as bases da prática gnóstica:

Todo conhecimento humano foi trazido ao mundo através de homens e mulheres que fizeram esse grão (essa essência) brotar. Nas diferentes áreas do conhecimento, seja arte, ciência, filosofia ou religião, tudo que a humanidade conhece e o que ainda há de conhecer, foi trazido à luz graças ao trabalho de indivíduos que souberam despertar as suas potencialidades, integrando sua consciência com essa força superior, que é Deus.

E diz-se que essas quatro divisões do conhecimento humano – ciência, arte, filosofia e religião – são também os quatro princípios ou pilares sobre os quais repousa o método para que cada um encontre a sua Gnosis. Porém para entender isso, precisamos transcender a forma convencional como estamos acostumados a ver estes quatro aspectos e enxergá-los como princípios eternos que precisam despertar dentro de nós. Como princípios, são as mesmas forças mais primitivas da natureza que, quando combinadas, dão origem a todos os processos químicos, físicos e biológicos que conhecemos. Vamos ver que princípios são esses.
Filosofia

A filosofia é a capacidade de buscar respostas. E ao mesmo tempo, também é o resultado dessa busca, que é a compreensão. Na natureza, corresponde ao vento que dissemina todas as coisas e faz com que elas se combinem para que a vida floresça. Aplicado ao homem, corresponde à capacidade de reflexão, que é a mola propulsora da ciência, da arte e da religião. Não existiria conhecimento se não fosse a filosofia.

Através da reflexão, buscamos compreender os princípios que se expressam na natureza sob inúmeras formas. Ao contrário do que muitos pensam, filosofia não é aprender o que disseram os filósofos do passado; isso é a “história da filosofia”, mas não a filosofia. Para ser um filósofo, basta começar a analisar os detalhes que compõem a vida e os princípios que os regem. Disso advém o fenômeno transformador da compreensão.
Ciência

A ciência é a base concreta da experiência da verdade, da realidade. O verdadeiro espírito gnóstico é completamente científico e isso significa ser um amante da verdade e não apenas um adorador de crenças. A grande maioria das pessoas não está disposta a encontrar a verdade, a menos que ela esteja de acordo com o que ela própria acredita. Se mil coisas apontam que estamos errados, olhamos e pensamos: “Bom, mas com base nisso não podemos tirar nenhuma conclusão precipitada”. Porém basta um único acontecimento que esteja de acordo com nossas crenças e já dizemos: “Eu sabia! Agora eu tenho certeza de que estou certo”. Ou seja, nessa condição, quem pode encontrar a verdade? No mundo antigo, as pessoas atribuíam às suas crenças religiosas tudo que lhes ocorria.

No mundo moderno, as pessoas substituíram as crenças religiosas pelas crenças científicas e continuam 100% crentes, defendendo a sua “fé” com unhas e dentes, dizendo que “a ciência comprovou, então é assim.” A ciência muitas vezes é extremamente divergente quanto a uma idéia e a maioria das coisas que se diz que são cientificamente comprovadas, são apenas teorias predominantes no meio científico, que normalmente tem um grupo muito grande de cientistas que não só discorda, como prova o contrário. Afinal, a ciência não é formada apenas por um grupo de colegas que tem as mesmas opiniões sobre tudo.

Bom, mas então, como podemos integrar-nos com a ciência, se não podemos acreditar em nada que nos dizem? Nós podemos acreditar nas coisas que nos parecem coerentes, mas não devemos nos conformar com isso. Aí está o espírito científico. E mais: existem formas de acessarmos a realidade, a verdade, mais além dos fenômenos físicos, os quais são tão somente consequências do que ocorre em vibrações mais sutis da natureza.

Os sábios da antiguidade apoiavam suas descobertas à base de muita observação e meditação sobre os fenômenos, para que pudessem conhecê-los por dentro e por fora. Dessa forma, desenvolvemos uma capacidade de intuir os princípios pro trás das formas e conhecer sua verdade intrínseca. Na natureza, a ciência está relacionada à terra firme, à experiência concreta. No homem, corresponde à sua capacidade de empreender, à ação de comprovar por si mesmo.
Arte

Existem centenas ou até infinitas expressões da arte, então como conciliar todas elas em uma só coisa, para poder definir o que é a arte? Se analisarmos, a arte se reduz ao processo de transformação de algo que estava em estado bruto. Seja uma tela em branco em uma paisagem, uma pedra bruta em uma escultura ou sons que ordenados adequadamente se transformam em uma melodia, etc.

Transformação. Essa é a essência da arte. E da mesma forma que o artista trabalha em sua obra prima, cada indivíduo deve trabalhar em seu interior. Cada indivíduo é semelhante a um diamante em estado bruto que precisa ser lapidado e depois polido, para que então o seu brilho apareça.

Na natureza, quem opera em contínua transformação é o fogo; nos homens, esse fogo são as emoções, ou seja, a força que quando não trabalhada, se torna aquilo que destrói tudo ao redor, mas que quando sabiamente dominada permite temperar os metais e trabalhar na transformação de todos os demais elementos que carregamos dentro, sublimando-os em potencial criativo, transformador. Quando aprendemos a transformar as emoções negativas, conseguimos a superação de complexos, debilidades e paradigmas, pois é sobre as emoções que estão os valores interiores.
Religião

Ao mencionarmos religião, é importante que se tenha em conta que não estamos falando de formas religiosas mas sim de realizar a conexão com a Divindade, o religare. A religiosidade é uma das maiores necessidades humanas. Por isso não é raro encontrarmos pessoas que buscam essa conexão através da realização de alguma outra coisa, pois aquilo se torna o substituto da sua religiosidade.

Alguns fazem essa substituição da religiosidade pelo dinheiro ou pela realização profissional. Outros perseguem a fama como um substituto para preencher esse “vazio de finalidade existencial”, e idolatram essa finalidade como algo que dê plenitude. Outros preenchem esse vazio com muitos relacionamentos e outros preenchem com as palavras de conforto de algum padre ou pastor, ou talvez com algum livro ou objeto considerado sagrado.

Porém religião é um estado de consciência, de integração com a vida que é Deus e para isso nem sempre existe a necessidade de alguma ideologia ou crença, mas sim aprender a perceber essa presença e essa conexão que temos com tudo que é vivo. Existem, portanto, pessoas que são profundamente religiosas e sequer acreditam em Deus; outras que oram todos os dias, mas nunca conseguiram estabelecer uma comunicação com o Criador. Pode parecer incrível, mas se não conhecermos o sentido da verdadeira oração, seria mais útil (a fim de integrar-se com a divindade) regar uma planta do que olhar para os céus.

Na natureza, a religião está no elemento integrador, na água, origem de toda vida e fonte de sua perpétua renovação. Na experiência humana, vamos encontrar a relação direta da religião com a sexualidade, pois é no ato sexual que homem e mulher se tornam a imagem e semelhança do Criador, com o poder de criar. É nesse momento em que, se estiverem tomados pelo mais profundo amor, transcendem a experiência individual e se conectam com a vida que está no outro, produzindo assim a transcendência do eu.Sobre a sexualidade sagrada vamos estudar em artigos posteriores.

Para concluir, são as quatro características: visão (reflexão – filosofia), ação (comprovação – ciência), transformação (superação – arte) e integração (conexão com o todo – religião) onde se encontram as bases da prática que vai produzir no individuo o despertar de sua verdadeira natureza.

fonte: Gnosticismo
http://www.ageacac.org.pt

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