1 de jul de 2019

METAIS TÓXICOS E A SAÚDE HUMANA



Por Frederico Lobo - Médicos que atuam na prática ortomolecular são sinônimo de: “Buscadores de metais tóxicos”. Talvez porque uma das nossas habilidades seja justamente essa: a de pesquisar metais tóxicos através do exame do cabelo (mineralograma capilar). Mas afinal, o que são esses metais?
 
Por que são tóxicos? Quais os principais metais tóxicos e suas conseqüências para a saúde humana? Bem, talvez os metais sejam os agentes tóxicos mais estudados e conhecidos pelo homem. Acompanham o homem desde tempos remotos, não podem ser sintetizados (estão dispostos na natureza) e nem destruídos pelo homem. Com o advento da revolução industrial muitos deles começaram a ser mobilizados de suas fontes naturais e assim deslocados por todo globo. Ou seja, estão amplamente distribuídos na Terra (solo, água, ar, tintas, desodorantes, alimentos, fármacos, agrotóxicos)

 
Sendo assim, a chance de contaminação é grande. Nos últimos 50 anos a exposição humana aos metais tóxicos cresceu vertiginosamente. A indústria petroquímica em especial trouxe vários benefícios (e também malefícios) para a humanidade. Um desses malefícios é o aumento da exposição dos metais tóxicos à saúde humana. Sabe-se que inúmeras são as vias metabólicas acometidas diante de uma contaminação, mas por terem uma característica de se acumularem, atrapalham principalmente as reações enzimáticas. Isso gera uma sintomatologia ampla e que muitas vezes passa despercebida pelos demais médicos.
 
Os sistemas mais sensíveis à contaminação são: sistema nervoso (central e periférico), sistema gastrintestinal, cardiovascular, sistema renal e sistema hematopoiético.
 
Antigamente acreditavam que apenas grandes doses dos metais tóxicos poderiam causar sintomatologia. Hoje a ciência mostra que doses mínimas de certos metais tóxicos já podem ter efeitos deletérios. Mas cada indivíduo responde de forma individual à contaminação. As conseqüências dependem do estado nutricional do paciente, do metabolismo e da capacidade de detoxificação. A retirada dependerá do metal em excesso, podendo ser utilizada a quelação Via oral (que age de forma lenta) ou endovenosa.
 
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Os principais metais tóxicos encontrados nos mineralogramas são:

Arsênico,
Chumbo,
Cádmio,
Mercúrio,
Alumínio.

Alguns outros minerais são essenciais para a saúde humana porém podem agir como contaminantes ambientais:

Zinco,
Ferro,
Cobre,
Cobalto,
Manganês

Nos próximos parágrafos você saberá quais são alguns dos principais sintomas de intoxicação (aguda e/ou crônica) por metais tóxicos. Sempre que houver suspeita de intoxicação por metal tóxico, procure um médico que atue na prática ortomolecular. Provavelmente ele solicitará um mineralograma (exame que vê quase todos os minerais presentes no seu organismo, com base numa amostra de cabelo) e instituíra o tratamento correto.

ARSÊNICO (As)

O que é e onde encontrar:

O arsênico é um metal de ocorrência natural, sólido, cristalino, de cor cinza-prateada. Exposto ao ar, perde o brilho e torna-se um sólido amorfo de cor preta. Esse metal é utilizado como agente de fusão para metais pesados, em processos de soldagens e na produção de cristais de silício e germânio;

Produtos industriais: metais, tintas, corantes, cosméticos;
Solo contaminado;
Ar atmosférico com poluição industrial;
Águas de fontes contaminadas;
Vidros;
Pinturas;
Papel de parede;
Produtos farmacêuticos;
Peixes e crustáceos (na forma de arsenobetaína, que é uma forma atóxica);
Algas marinhas e mariscos;
Carnes de aves alimentadas por peixes,
Cereais e arroz plantados em solo contaminado ou regados com água contaminada;
Atividades vulcânicas;
Cogumelos produzidos em solo contaminado;
Fundição;
Queima de carvão;
Cigarro

O arsênico é usado na fabricação de munição, ligas e placas de chumbo de baterias elétricas.
Na forma de arsenito é usado como herbicida e como arsenato, é usado nos inseticidas.

Efeitos no organismo humano:

No homem produz efeitos nos sistemas respiratório, cardiovascular, nervoso e hematopoiético.

No sistema respiratório ocorre irritação com danos nas mucosas nasais, laringe e brônquios. Exposições prolongadas podem provocar perfuração do septo nasal e rouquidão característica e, a longo prazo, insuficiência pulmonar, traqueobronquite e tosse crônica.
No sistema cardiovascular são observadas lesões vasculares periféricas e alterações no eletrocardiograma.

No sistema nervoso, as alterações observadas são sensoriais e polineuropatias, e no sistema hematopoiético observa-se leucopenia, efeitos cutâneos e hepáticos.

Tem sido observada também a relação carcinogênica do arsênico com o câncer de pele e brônquios.

Quando suspeitar:

Astenias (fraquezas) inexplicáveis
Nos distúrbios digestivos: diarréias, vômitos, náuseas, dor em queimação na boca e na garganta, dores abdominais;
Nas dermatites;
Hipotensão;
Queda de cabelo ou quando o cabelo está seco, quebradiço e áspero;
Anemias idiopática associada a déficit do sistema imunológico;
Retardo do crescimento;
Nas dores musculares;
Neuropatia periférica;
Insuficiência renal e/ou hepática sem causa detectável;
Câncer de pele e/ou pulmão.

CHUMBO (Pb)

O que é e onde encontrar:

Há mais de 4.000 anos o chumbo é utilizado sob várias formas, principalmente por ser uma fonte de prata. Antigamente, as minas de prata eram de galena (minério de chumbo), um metal dúctil, maleável, de cor prateada ou cinza-azulada, resistente à corrosão. Compostos de chumbo são absorvidos por via respiratória e cutânea. Os chumbos tetraetila e tetrametila também são absorvidos através da pele intacta, por serem lipossolúveis;
 
 
Os principais usos estão relacionados às indústrias extrativa, petrolífera, de baterias, tintas e corantes, cerâmica, cabos, tubulações e munições;

O chumbo pode ser incorporado ao cristal na fabricação de copos, jarras e outros utensílios, favorecendo o seu brilho e durabilidade;

Também pode ser incorporado aos alimentos durante o processo de industrialização ou no preparo doméstico;

Tintas com base de chumbo e tinturas de cabelo;
Bateriais;
Cristais;
Vidros;
Tabaco;
Agrotóxicos;
Cremes dentais;
Latas de alimentos seladas com solda de chumbo;
Panelas elétricas;
Poluição do ar atmosférico por chumbo industrial e por fumaça de automóveis;
Inalação de gasolina;
Produtos de vinil e porcelana;
Água proveniente de canos de chumbo, de cobre ou com soldas de chumbo.

Efeitos no organismo humano:

O sistema nervoso, a medula óssea e os rins são considerados órgãos críticos para o chumbo, que interfere nos processos genéticos ou cromossômicos e produz alterações na estabilidade da cromatina em cobaias, inibindo reparo de DNA e agindo como promotor do câncer. Por isso está ligado ao câncer de pele e/ou pulmão.

Seus efeitos no Sistema nervoso central (SNC) dependerá do tempo de exposição, da quantidade absorvida.

As principais síndromes ligadas ao chumbo são:

Síndrome encéfalo-polineurítica (alterações sensoriais, perceptuais, e psicomotoras),
Síndrome astênica (fadiga, dor de cabeça, insônia, distúrbios durante o sono e dores musculares),

Síndrome hematológica (anemia hipocrômica moderada e aumento de pontuações basófilas nos eritrócitos),

Síndrome renal (nefropatia não específica, proteinúria, aminoacidúria, uricacidúria, diminuição da depuração da uréia e do ácido úrico),

Síndrome do trato gastrointestinal (cólicas, anorexia, desconforto gástrico, constipação ou diarréia),

Síndrome cardiovascular (miocardite crônica, alterações no eletrocardiograma, hipotonia ou hipertonia, palidez facial ou retinal, arteriosclerose precoce com alterações cerebrovasculares e hipertensão),

Síndrome hepática (interferência de biotransformação).

Quando suspeitar:

Crianças e adultos com déficit de aprendizagem: déficit de atenção;
Crianças e adultos com desvio de comportamento: hiperatividade;
Crianças e adultos com redução do QI;
Crianças com retardado do desenvolvimento neuro-psico-motor;
Nas alterações cerebrais em adultos como: as perturbações mentais e redução da capacidade de concentração;
Nas cólicas gastrintestinais severas;
Nas gengivas com coloração azulada e/ou com sangramentos;
Fraqueza muscular idiopática e astenia intensa.
Paralisia das extremidades;
Redução da resposta do sistema imunológico; Osteoporose por preencher o espaço do cálcio no osso;
Impotência sexual ou infertilidade;
Presença de sabor metálico na boca;
Na artrite;
Alterações do sono tipo insônia
 
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CÁDMIO (Cd)

O que é e onde encontrar:

O cádmio é encontrado na natureza quase sempre junto com o zinco, em proporções que variam de 1:100 a 1:1000, na maioria dos minérios e solos;

É um metal que pode ser dissolvido por soluções ácidas e pelo nitrato de amônio;
Quando queimado ou aquecido, produz o óxido de cádmio, pó branco e amorfo ou na forma de cristais de cor vermelha ou marrom;
É obtido como subproduto da refinação do zinco e de outros minérios, como chumbo-zinco e cobre-chumbo-zinco;
O cádmio existente na atmosfera é precipitado e depositado no solo agrícola;
Resíduos da fabricação de cimento, da queima de combustíveis fósseis e lixo urbano e de sedimentos de esgotos;

Na agricultura, uma fonte direta de contaminação pelo cádmio é a utilização de fertilizantes fosfatados. Sabe-se que a captação de cádmio pelas plantas é maior quanto menor o pH do solo (solo do cerrado). Portanto as chuvas ácidas são um fator determinante no aumento da concentração do Cádmio nos produtos agrícolas;

A água potável possui baixos teores de cádmio (cerca de 1 mg/L), o que é representativo para cada localidade;

A galvanoplastia (processo eletrolítico que consiste em recobrir um metal com outro) é um dos processos industriais que mais utiliza o cádmio (entre 45 a 60% da quantidade produzida por ano);
No cigarro e na fumaça do cigarro;
Na indústria, o cádmio está presente no revestimento de metais, na fabricação de plásticos, nas tintas pra pintar plásticos;

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Tinturas têxteis;
Baterias de Níquel-cádmio;
Ar atmosférico com poluição industrial;
Água armazenada em caixa galvanizada;
Alimentos cultivados em solo contaminado e/ou irrigados com água contaminada.
Varetas de reatores;
Fabricação de tubos para TV.

Efeitos no organismo humano:

O cádmio é um elemento de vida biológica longa (10 a 30 anos) e de lenta excreção pelo organismo humano;

O órgão alvo primário nas exposições ao cádmio a longo prazo é o rim;
A principal forma de contaminação é por inalação;

Os efeitos tóxicos provocados por ele compreendem principalmente distúrbios gastrointestinais, hepáticos (fígado), diminuição da absorção de cálcio, aumento da excreção do cálcio e depleção de zinco;

A inalação de doses elevadas produz intoxicação aguda, caracterizada por pneumonite e edema pulmonar.

Quando suspeitar:

Dores articulares;
Na alteração ou insuficiência renal com perda de proteínas (proteinúria);
Alterações hepáticas;
Na alteração da densitometria óssea, como a osteoporose e a osteomalácia por deficiência na absorção ou fixação do cálcio biodisponível nos alimentos;
Nas alterações do trato gastrintestinal , como a diarréia e o vômito;
Hipertensão arterial;
Queda de cabelos;
Pele escamosa;
Perda do apetite;
Anemias ferroprivas (por deficiência de ferro) que não respondem à suplementação do Ferro (pois o Cádmio diminui a absorção do Ferro);
Nos fumantes ativos e/ou passivos;
No retardo do crescimento e na alteração da fertilidade;

ALUMÍNIO (Al)

O que é e onde encontrar:

Embora na literatura não conste propriamente como um metal pesado, o Al vem sendo considerado um metal tóxico a partir de pesquisas que demonstraram sua importância na doença de Alzheimer;

Consiste no metal mais abundante na litosfera, mas seus níveis são baixos nas águas, vegetais e animais.

A carga de Al do organismo (cerca de 1g) não aumenta com a idade;
O metal está presente nos tecidos do feto;
Entra no organismo via trato gastrintestinal e pulmões (suspensões no ar). Sendo que sua absorção via trato digestivo é baixa, mas interfere na absorção de Ferro, fosfatos, cálcio, magnésio;
Não se conhece benefícios ou função orgânica do Al;
As principais fontes são:
Água;
Chuva ácida;
Panelas e utensílios de cozinha;
Cigarro;
Medicação antiácida;
Caixas de leite e sucos;
“Quentinhas”;
Desodorantes, Antiperspirantes;
Próteses dentárias;
Queijo parmesão e fundido;
Farinha refinada;

Efeitos no organismo humano:

 
Leia também - Padrão de Energia
 
As alterações de Al tem sido correlacionadas principalmente a alterações neurológicas. Pesquisas com crianças disléxicas mostram um aumento do índice de Al se comparado com o dos grupos controle;
Como já citei acima, tem sido encontrado um alto índice de Al em portadores de Alzheimer.
Provoca seborréia com queda de cabelos;
Envelhecimento precoce;
Irritabilidade;
Desloca o Cálcio e Magnésio dos ossos, o que leva a osteoporose;

Quando suspeitar:

Crianças com dislexias, nas hiperativas ou com déficit de atenção;
Na osteopenia e osteoporose;
Ma doença de Alzheimer ou neurodegeneração;
Nas alterações gastrintestinais e cólicas abdominais;
No raquitismo;
Na redução do metabolismo do cálcio;
Na dor óssea;
Irritabilidade acentuada;
Crises convulsivas;
Redução da capacidade mental;
Redução das funções hepáticas e renais;
Na anemia microcítica e hipocrômica mas sem deficiência de Ferro;
Esquecimentos;
Fraqueza muscular;
Intenso estresse oxidativo;
Hiperpermeabilidade intestinal e disbiose.

MERCÚRIO (Hg)

O que é e onde encontrar:

Mercúrio é um metal líquido à temperatura ambiente, conhecido desde os tempos da Grécia Antiga;

Seu nome homenageia o deus romano Mercúrio, que era o mensageiro dos deuses. Essa homenagem é devida à fluidez do metal;

A progressiva utilização do mercúrio para fins industriais e o emprego de compostos mercuriais durante décadas na agricultura resultaram no aumento significativo da contaminação ambiental, especialmente da água (garimpo) e dos alimentos;

Uma das razões que contribuem para o agravamento dessa contaminação é a característica singular do Ciclo do Mercúrio no meio ambiente. A biotransformação por bactérias do mercúrio inorgânico a metilmercúrio é o processo responsável pelos elevados níveis do metal no ambiente;

O Hg é um líquido inodoro e de coloração prateada. Os compostos mercúricos apresentam uma ampla variedade de cores;

Nos processos de extração, o Hg é liberado no ambiente principalmente a partir do sulfeto de mercúrio;

O trato respiratório é a via mais importante de introdução do Hg;

Demonstra afinidade por tecidos como células da pele, cabelo, glândulas sudoríparas, glândulas salivares, tireóide, trato gastrointestinal, fígado, pulmões, pâncreas, rins, testículos, próstata e cérebro;

A exposição a elevadas concentrações desse metal pode provocar febre, calafrios, dispnéia e cefaléia, durante algumas horas. Sintomas adicionais envolvem diarréia, cãibras abdominais e diminuição da visão. Casos severos progridem para edema pulmonar, dispnéia e cianose. As complicações incluem enfisema, pneumomediastino e morte; raramente ocorre falência renal aguda;

Pode ser destacado também o envolvimento da cavidade oral (gengivite, salivação e estomatite), tremor e alterações psicológicas. A síndrome é caracterizada pelo eretismo (insônia, perda de apetite, perda da memória, timidez excessiva, instabilidade emocional). Além desses sintomas, pode ocorrer disfunção renal.

O mercúrio e seus compostos são encontrados:
Produção de cloro e soda caústica (eletrólise);
Equipamentos elétricos e eletrônicos (baterias, retificadores, relés, interruptores etc);
Aparelhos de controle (termômetros, barômetros, esfingnomanômtros);
Tintas (pigmentos);
Amálgamas dentárias;
Fungicidas (preservação de madeira, papel, plásticos etc);
Lâmpadas de mercúrio;
Laboratórios químicos, preparações farmacêuticas;
Ar atmosférico poluído, resultante de atividade industriais e vulcânicas;
Combustão de combustíveis fósseis;
Peixes marinhos ou de água doce (de águas poluídas);
Solventes;
Plásticos;
Óleos lubrificantes, catalisadores;
Na extração de ouro;
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Efeitos no organismo humano:

Interfere na síntese de Proteínas;
Sua forte afinidade pelos radicais sulfidrilas, amina, fosforil, carboxil provoca a inibição da síntese de proteínas, especialmente nos rins, a inativação de uma série de enzimas e lesão da membrana celular;

Seus principais efeitos deletérios decorrentes da deposição estão relacionados a sua poderosa ação nociva ao Sistema Nervoso Central.;
Provoca diminuição da síntese de proteínas no cérebro e aumento na liberação de diversos neurotransmissores, especialmente Dopamina, Ácido glutâmico e Gaba;
Existem fortes indícios em relação ao seu papel na etiologia da Esclerose múltipla (Desmielinização);

Além disso pode interferir nas funções no Selênio;
Agir como imunossupressor;
Formas inorgânicas podem provocar reações auto-imunes no rim;
O quadro clínico varia conforme a forma intoxicante:
Vapores de mercúrio elementar:
Mercúrio inorgânico;
Mercúrio Orgânico

Quando suspeitar:

Alterações comportamentais;
Alterações neurológicas;
Tremores;
Irritabilidade;
Na depressão associada com salivação, estomatite e diarréias;
Na perda da visão e na perda da audição;
Incoordenação motora progressiva;
Parestesias ao redor dos lábios, da boca e nas extremidades;
Ataxia ou andar cambaleante;
Nas dermatites;
Perda de peso;
Queda de cabelo;
Inapetência;
Alterações no trato gastrintestinal;
Perda de memória;
No déficit de atenção

NÍQUEL (Ni)

O que é e onde encontrar:

Níquel é um elemento químico de símbolo Ni, considerado um metal de transição;

Tem coloração branco-prateada, condutor de eletricidade e calor, dúctil e maleável porém não pode ser laminado, polido ou forjado facilmente, apresentando certo caráter ferromagnético;

É encontrado em diversos minerais, em meteoritos (formando liga metálica com o ferro );

O Ni presente no solo, passa para as plantas e para os animais e dessa forma pode ser consumido pelo homem;

Pode ser adicionado aos alimentos por meios de seus processamentos.

As principais fontes de contaminação são:
Fumaça de cigarros;
Combustão de moedas;
O trabalho de niquelagem;
Velas dos automóveis;
As resistências e as bateriais;
Ligas de tubulação em equipamentos odontológicos;
Jóias e bijoterias;

Gorduras e óleos hidrogenados (margarinas);
Liga do aço inox em panelas (portanto evite o cozimento de alimentos ácidos ou cítricos em panelas de inox);
Efeitos no organismo humano:
 
 
Alguns estudos correlacionam altos níveis de Ní com índices aumentados das imunoglobulinas IgG, IgA e IgM, e índices baixos de IgE;
As mulheres são mais predispostas à intoxicação;
Alguns dos efeitos são as dermatoses, dermatites de contato;
Alergias (eczemas, rinite, sinusite, conjuntivite);
Alguns trabalhos correlacionam o Ni com alterações tireoideanas e adrenais;
O gás Níquel carbamil está relacionado com o câncer dos seios paranasais e do pulmão, dermatites e epilepsia;
Os casos de intoxicação aguda produzem sintomas como: náuseas, vômitos, palpitação, fraqueza, vertigens, dor de cabeça;

Quando suspeitar:

Nas dermatites de contato e eritematosas;
Na hemorragia pulmonar;
No infarto agudo do miocárdio;
Nos cânceres do trato respiratório;
Na inalação de níquel carbonil;
Em todas as alergias

MANGANÊS (Mn)

O que é e onde encontrar:

O manganês é um metal cinza semelhante ao ferro, porém mais duro e quebradiço.
Os óxidos, carbonatos e silicatos de manganês são os mais abundantes na natureza e caracterizam-se por serem insolúveis na água.
O composto ciclopentadienila-tricarbonila de manganês é bem solúvel na gasolina, óleo e álcool etílico, sendo geralmente utilizado como agente anti-detonante em substituição ao chumbo tetraetila.
Utilizado em:
Fabricação de fósforos de segurança,
Pilhas secas,
Ligas não-ferrosas (com cobre e níquel),
Esmalte porcelanizado,
Fertilizantes,
Fungicidas,
Rações,
Eletrodos para solda,
Magnetos,
Catalisadores,
Vidros,
Tintas,
Cerâmicas,
Materiais elétricos e produtos farmacêuticos (cloreto, óxido e sulfato de manganês).
As exposições mais significativas ocorrem através dos fumos e poeiras de manganês.
O trato respiratório é a principal via de introdução e absorção desse metal nas exposições ocupacionais.
50% do Mn corporal está nos ossos.

No sangue, esse metal encontra-se nos eritrócitos, 20-25 vezes maior que no plasma, portanto não adianta dosar fora da hemácia, os melhores métodos para se avaliar a real concentração de manganês no organismo são: dosagem eritrocitária e mineralograma capilar.

Quando aumentado no mineralograma não significa necessariamente concentrações tóxicas no organismo, pois, geralmente pode aumentar em decorrência da deficiência de zinco ou perante a destruição excessiva (devido o estresse oxidativo) de uma enzima chamada SOD mitocondrial.

O solo do cerrado é muito rico em Manganês e portanto alguns ortomoleculares preferem evitar a sua prescrição nas fórmulas, por acreditarem que a dieta já consegue suprir as necessidades basais.

Efeitos no organismo humano:

Fisiologicamente falando, o Mn atua principalmente como co-fator para uma série de reações enzimáticas, entra na composição de uma enzima chamada Superóxido dismutase (mitocondrial) que atua na proteção das membranas celulares, em especial a membrana das mitocôndrias.
Facilita a formação de Dopamina, Gaba e Acetilcolina.

Apresenta uma baixa toxicidade quando ingerido pela dieta ou na suplementação.

Doses excessivas podem causar anemia ferropriva e deficiência de cobre, além de interferirem na utilização da Tiamina (vitamina B1) e aumentarem a necessidade de vitamina C.

A inalação é uma das vias de intoxicação. No Chile, conhece-se um quadro denominado de “Loucura Mangânica”, caracterizado por: sinais e sintomas psiquiátricos: mania, agressividade, insônia, alucinações, quadro neurológico muito parecido com o do Parkinson.

Os sintomas dos danos provocados pelo manganês no Sistema nervoso central (SNC) podem ser divididos em três estágios: 1º) subclínico (astenia (fraqueza), distúrbios do sono, dores musculares, excitabilidade mental e movimentos desajeitados); 2º) início da fase clínica (transtorno da marcha, dificuldade na fala, reflexos exagerados e tremor); 3º) clínico (psicose maníaco-depressiva e a clássica síndrome que lembra o Parkinsonismo).

Além dos efeitos neurotóxicos, há maior incidência de bronquite aguda, asma brônquica e pneumonia

Quando suspeitar:

Alterações comportamentais;
Alterações neurológicas;
Tremores;
Irritabilidade;
No déficit de atenção
Bibliografia:

OLSZEWER, Efraim. Clínica ortomolecular. 2ª ed. São Paulo, Roca: 2008.
FAVIERE, Maria Inês. Nutrição na Visão da Prática Ortomolecular. Rio de Janeiro, Ícone: 2009.

CARVALHO, Paulo Roberto. Medicina Ortomolecular: Um guia completo dos nutrientes e suas propriedades terapêuticas. 4ªEd. Rio de Janeiro, Nova Era: 2006.

PASCALICCHIO, Aurea. Contaminação por metais pesados: Saúde pública e medicina ortomolecular. São Paulo. Annablume. 2002
http://www.ecolnews.com.br/toxicos_POPs_e_metais_pesados.htm

Dr. Frederico Lobo – Sou médico, clínico geral e dentro do meu arsenal terapêutico utilizo da medicina tradicional chinesa (acupuntura) e de estratégias ortomoleculares (lembrando que ortomolecular não é especialidade médica ou área de atuação). Busco ter uma abordagem holística/integrativa dos meus pacientes, utilizando tal arsenal. Acredito que todos nós temos o dever de lutar pela restauração do equilíbrio entre o homem e a natureza e para isso, faz-se necessário que a Saúde seja interpretada por uma ótica ecológica (por isso ecologia médica). Não acredito que possa existir saúde sem a integração multidisciplinar entre todos os profissionais da área da saúde, sem educação em saúde (educação é a base de tudo) e muito menos sem respeito pelo ecossistema.
Artigo originalmente publicado no Blog Ecologia Médica e enviado pelo autor ao EcoDebate, 01/08/2011


Metais Pesados: Um Perigo Eminente

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Acredita-se que os metais talvez sejam os agentes tóxicos mais conhecidos pelo homem. Há aproximadamente 2.000 anos a.C., grandes quantidades de chumbo eram obtidas de minérios, como subproduto da fusão da prata e isso provavelmente tenha sido o início da utilização desse metal pelo homem.
 
Os metais pesados diferem de outros agentes tóxicos porque não são sintetizados nem destruídos pelo homem. A atividade industrial diminui significativamente a permanência desses metais nos minérios, bem como a produção de novos compostos, além de alterar a distribuição desses elementos no planeta.

A presença de metais muitas vezes está associada à localização geográfica, seja na água ou no solo, e pode ser controlada, limitando o uso de produtos agrícolas e proibindo a produção de alimentos em solos contaminados com metais pesados.

Todas as formas de vida são afetadas pela presença de metais dependendo da dose e da forma química. Muitos metais são essenciais para o crescimento de todos os tipos de organismos, desde as bactérias até mesmo o ser humano, mas eles são requeridos em baixas concentrações e podem danificar sistemas biológicos.

Os metais são classificados em:

elementos essenciais: sódio, potássio, cálcio, ferro, zinco, cobre, níquel e magnésio;

micro-contaminantes ambientais: arsênico, chumbo, cádmio, mercúrio, alumínio, titânio, estanho e tungstênio;

elementos essenciais e simultaneamente micro-contaminantes: cromo, zinco, ferro, cobalto,
manganês e níquel.

Os efeitos tóxicos dos metais sempre foram considerados como eventos de curto prazo, agudos e evidentes, como anúria e diarréia sanguinolenta, decorrentes da ingestão de mercúrio. Atualmente, ocorrências a médio e longo prazo são observadas, e as relações causa-efeito são pouco evidentes e quase sempre subclínicas. Geralmente esses efeitos são difíceis de serem distinguidos e perdem em especificidade, pois podem ser provocados por outras substâncias tóxicas ou por interações entre esses agentes químicos.

A manifestação dos efeitos tóxicos está associada à dose e pode distribuir-se por todo o organismo, afetando vários órgãos, alterando os processos bioquímicos, organelas e membranas celulares.

Acredita-se que pessoas idosas e crianças sejam mais susceptíveis às substâncias tóxicas. As principais fontes de exposição aos metais tóxicos são os alimentos, observando-se um elevado índice de absorção gastro-intestinal.

Em adição aos critérios de prevenção usados em saúde ocupacional e de monitorização ambiental, a biomonitorização tem sido utilizada como indicador biológico de exposição, e toda substância ou seu produto de biotransformação, ou qualquer alteração bioquímica observada nos fluídos biológicos, tecidos ou ar exalado, mostra a intensidade da exposição e/ou a intensidade dos seus efeitos.

Recentemente, tem sido noticiado na mídia escrita e falada a contaminação de adultos, crianças, lotes e vivendas residenciais, com metais pesados, principalmente por chumbo e mercúrio. Contudo, a maioria da população não tem informações precisas sobre os riscos e as conseqüências da contaminação por esses metais para a saúde humana.
 
 
O caso fatídico em Bauru, SP, é um dos exemplos dessa contaminação. A Indústria de Acumuladores Ajax, uma das maiores fábricas de baterias automotivas do país localizada no km 112 da Rodovia Bauru-Jaú, contaminou com chumbo expelido pelas suas chaminés 113 crianças, sendo encontrados índices superiores a 10 miligramas/decilitro (ACEITUNO, 18-04-2002).

Foram constatados ainda a contaminação de animais, leite, ovos e outros produtos agrícolas, resultando em um enorme prejuízo para os proprietários. Um dos casos mais interessantes foi o de uma criança de 10 anos, moradora de um Núcleo Habitacional localizado próximo à fonte poluidora. Desde os sete meses de idade sofria de diarréia e de deficiência mental. Somente após suspeitas dessa contaminação, em 1999, quando amostras do seu sangue foram enviadas a dois centros toxicológicos nos Estados Unidos, é que foi constatada a intoxicação por chumbo, urânio, alumínio e cádmio (ACEITUNO, 18-04-2002).

A cidade de Paulínia, em SP, e o bairro Vila Carioca também foram contaminados pela Shell Química do Brasil. Em Paulínia, dos 166 moradores submetidos a exames, 53% apresentaram contaminação crônica e 56% das crianças revelaram altos índices de cobre, zinco, alumínio, cádmio, arsênico e manganês. Em adição observou-se também, a incidência de tumores hepáticos e de tiróide, alterações neurológicas, dermatoses, rinites alérgicas, disfunções gastro-intestinais, pulmonares e hepáticas (GUAIUME, 23-08-2001).

Dos 2,9 milhões de toneladas de resíduos industriais perigosos gerados anualmente no Brasil, somente 600 mil toneladas recebem tratamento adequado, conforme estimativa da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento, Recuperação e Disposição de Resíduos Especiais (ABETRE). Os 78% restantes são depositados indevidamente em lixões, sem qualquer tipo de tratamento (CAMPANILI, 02-05-2002).

Recentemente a companhia Ingá, indústria de zinco, situada a 85 km do Rio de Janeiro, na ilha da Madeira, que atualmente está desativada, transformou-se na maior área de contaminação de lixo tóxico no Brasil. Metais pesados como zinco, cádmio, mercúrio e chumbo continuam poluindo o solo, a água e atingem o mangue, afetando a vida da população. Isso ocorreu porque os diques construídos para conter a água contaminada não têm recebido manutenção há cinco anos, e dessa forma os terrenos próximos foram inundados, contaminando a vegetação do mangue

Bibliografia

ACEITUNO, J. Mais 22 crianças estão contaminadas com chumbo em Bauru. O ESTADO DE SÃO PAULO. 12-04-2002.
ACEITUNO, J. Já são 76 crianças contaminadas por chumbo em Bauru. O ESTADO DE SÃO PAULO. 18-04-2002.
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CAMPANILI, M. Apenas 22% dos resíduos industriais têm tratamento adequado. O ESTADO DE SÃO PAULO. 02-05-2002.
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ZIMBRES, E. www.meioambiente.pro.br
Autores:
Dra. Viviane Nakano (Professor Colaborador - Jovem Pesquisador do Depto. Microbiologia, ICB, USP)
Dr. Mario Julio Avila-Campos (Professor Titular do Depto. Microbiologia, ICB, USP)
Laboratório de Anaeróbios, Departamento de Microbiologia, 2º andar, sala 242
Tel: (0xx11) 3091-7344; Fax: (0xx11) 3091-7354
 
 
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